27.5.13

Estampando no peito a literatura de cordel

Toca Baú Buraco_Daniella Etinger

Mal tínhamos desejado um próspero ano novo e, diferente de tantos outros que esperam o carnaval passar, este já se mostrava de prontidão para atender tal anseio. Foi nos primeiros meses de 2013 que surgiu a oportunidade de retirar do papel um antigo desejo - companheiro fiel desde 2007 - de criar produtos diferentes. A distinção deveria começar pela proposta e passar pela produção. Criação livre, nada forçado, todo pensamento possível. E assim, fez-se Nós, lançada em março e de cabeça na II Feirinha da Gambiarra, evento que vestia seu número. Lá expôs sua pretensão sobre tons suaves de verde, rosa, amarelo, azul e branco no meio de uma simpática rua do centro da cidade com música, gente e clima agradável.

Antes, ao dizer "retirar do papel" o sentido foi literal, pois o primeiro resultado nasceu da idéia de imprimir xilogravuras em um suporte diferente, o tecido. E assim, fez-se a camisa cordel da Nós, estampando no peito a história de conhecidos cordéis e as gravuras de dois nomes, Dani Etinger e Gabi Etinger.

20.5.13

Rebeca foi pro mar


Próxima à Praia de Atalaia, julho de 2012.

Ah Rebeca dos meus pecados... Parece que os seis quilômetros de areia (!) não foram suficientes para cansá-la. Provavelmente ela preferia voltar correndo para casa - literalmente - a esperar o ônibus passar. Até hoje me intriga como um corpo tão pequeno comportava tanta chatice, pois a garota aparentava sofrer de um mal que impede a pessoa de correr em silêncio. 

2.2.13

La Gioconda de Guadalajara


São Paulo, 17 de dezembro de 2012.

Apesar do apelido, hoje ardiam os topos da selva de pedra e a cuca de quem parecia ser íntima do inferno. E mesmo com o brilho ofuscante daquele sol as cores da cidade se decompunham num gradiente de tons de cinza acima e abaixo da terra. Nas raízes os tons se acentuavam num mosaico de expressões sérias, olhares frios, passos pesados. Em alguma estação do metrô da cidade da garoa a garota roubou as cores quentes daquele dia. Fazia dos corredores de concreto sua passarela e das pessoas observadores da antítese geográfica e dos grandes olhos negros no vermelho esnobe a nos fitar.

Cidad(ela)


17 de março de 2012.

Nada. Flui. Várias. Paralelas. Perpendiculares. Esquinas. Encontros. Horizontal. Entrada. Vertical. Saída. Infinita, infinita, infinita... Secciona. Tudo. Reparte. Separa. Guarda. Esconderijo. Uma. Prisão. Ninguém. Parte. Cidade. Ela. Urbana.

Processo de redesign de capa do livro "Príncipe das histórias: os vários mundos de Neil Gaiman"



CAPA ORIGINAL E REDESIGN


Como sugere o título e o estilo do inglês Neil Gaiman, que utiliza ficção, fantasia, suspense e/ou terror em suas criações, a capa é composta pela imagem centralizada do autor imerso num universo obscuro, como o mistério de suas histórias, e rodeado dos ombros para cima por alguns de seus personagens. O posicionamento dos personagens remete ao pensamento de Neil Gaiman, mostrando aquilo que ele pensa ou, nesse caso, foi pensado, criado por ele. São os “vários mundos” imaginados próximos ao seu lugar comum, a mente criativa de Gaiman (1).

Buscando um sentido oposto ao que pôde ser observado na capa original, o redesign (2) abandona o sombrio para estampar cores e imagem inspirada em Roy Lichtenstein, importante nome do movimento Arte Pop. O novo layout se distancia também por estar focado na diagramação da publicação mais famosa do autor, a HQ Sandman. A menção também ocorre na capa original e demonstra a importância de Sandman na carreira de Gaiman, mas surge ao equiparar criatura e criador no título do livro. Sandman, além de muitos outros codinomes, é conhecido também como Príncipe das Histórias.

A Arte Pop se adequa à proposta, à medida que “escolhiam tons vibrantes para criar deliberadamente efeitos ópticos dissonantes” (RAIMES, 2007, p.138) e conter entre seus criadores o pintor, escultor e artista gráfico Roy Lichtenstein, que, segundo Lopes (1996), teve sua obra iniciada a partir da apropriação de texturas e temas das HQs, transformando o banal em sublime.

O resultado cromático e aspecto modular ainda remete a outro estilo artístico, o De Stijl, que “era rigidamente matemático, visava a abstração total e era uma volta a formas geomátricas construídas com cores primárias” (REIMES, 2007, p.56).